"Aprender a rezar é aprender a desejar e, dessa forma, aprender a viver": este é o conselho dado por Bento XVI na mensagem enviada, por meio do seu secretário de Estado, ao Meeting pela amizade entre os povos, inaugurado na cidade italiana de Rimini.A missiva ao multitudinário encontro convocado pelo movimento Comunhão e Libertação, que reúne durante a semana mais de meio milhão de pessoas, comenta o tema escolhido para esta 31ª edição: "Essa natureza que nos leva a desejar coisas grandes no coração". "Recorda-nos que no fundo da natureza de todo homem - comenta a mensagem pontifícia, lida neste domingo durante a Missa inaugural - se encontra a irreprimível inquietude que o leva a buscar algo que possa satisfazer seu anelo."
"Todo homem intui que precisamente na realização dos desejos mais profundos do seu coração pode encontrar a possibilidade de realizar-se, de encontrar seu cumprimento, de converter-se verdadeiramente em si próprio", acrescenta o texto.
"O homem sabe que não pode responder por si só às suas próprias necessidades. Por mais que acredite ser autossuficiente, experimenta que não é suficiente para ele mesmo. Tem necessidade de abrir-se ao outro, a algo ou a alguém que possa dar-lhe o que lhe falta. Em outras palavras, deve sair de si mesmo rumo àquilo que possa saciar a amplidão do seu desejo", acrescenta.
Pois bem, afirma a mensagem, "o homem se vê tentado frequentemente pelas coisas pequenas, que oferecem uma satisfação e um prazer 'baratos', que satisfazem por um momento e são tão fáceis de alcançar quanto ilusórias, em última instância".
No entanto, "só Deus basta. Só Ele sacia a fome profunda do homem. Quem encontrou Deus, encontrou tudo. As coisas finitas podem oferecer faíscas de satisfação ou de alegria, mas só o infinito pode preencher o coração humano", afirma, citando Santo Agostinho de Hipona: "Nosso coração estará inquieto enquanto não descansar em ti".
"No fundo - sublinha -, o homem só precisa de uma coisa que abrange tudo, mas antes deve aprender a reconhecer, inclusive por meio dos seus desejos e anelos superficiais, aquilo de que precisa verdadeiramente, isto é, o que realmente quer, o que é capaz de satisfazer a capacidade do seu coração."
O desejo de "coisas grandes" deve se transformar em oração", assegura o Pontífice, "expressão do desejo" de Deus frente ao qual "Deus responde abrindo nosso coração a Ele".
"Temos de purificar nossos desejos e esperanças para poder acolher a doçura de Deus." "Rezar diante de Deus é um caminho, uma escada: é um processo de purificação dos nossos pensamentos, dos nossos desejos. Podemos pedir tudo a Deus. Tudo o que é bom. A bondade e a potência de Deus não têm um limite entre coisas grandes e pequenas, materiais e espirituais, terrenas e celestiais."
"No diálogo com Ele, colocando nossas vidas diante dos seus olhos, aprendemos a desejar as coisas boas, em definitivo, o próprio Deus", afirma.
A mensagem conclui recordando que há cinco anos faleceu o sacerdote italiano Luigi Giussani (1922 - 2005), fundador de Comunhão e Libertação e amigo pessoal de Joseph Ratzinger, que o apresenta como mestre de jovens na hora de despertar neles o amor a Cristo.
Fonte: ZENIT
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